Ela estava defronte a uma tela em branco onde "aquela" pauta piscava ininterruptamente convidando-a...À preencher-lhe com todas aquelas negras palavras .
Mas Cíntia tinha outro assunto em mente que a perturbava, tirando-lhe a atenção e roubando suas idéias referente a crônica que teria que aprontar e entregar urgente para o editor,pois era colunista em um jornal de grande circulação da cidade.
Assuntos rotineiros com a descontrolada síndica de seu prédio que vivia a lhe tirar do sério!
Aquela mulher devia ter sido índia ou outra espécie de especialista em arco e flecha na outra encarnação, já que vivia praticando com os moradores;mesmo que usasse a língua ao invés do arco para espalhar seu veneno. O efeito era igualmente devastador.
___ Pronto!!! ___ berrou Cíntia enquanto dava um giro na cadeira. Esta aí o assunto desta coluna.
E começa o texto intitulado A "Estranha" - Síndica...
Ela está bem obesa e rema um pouco ao andar. Suas roupas são sempre muito largas ,tecido fino, leve e estampado em padronagens etnicas. Seu cabelo me lembra o estilo que está a usar Dilma Roussef e seus olhos são grandes tal como os de uma coruja. Engana-se quem a julga pela aparência "és uma forte mulher",tão forte que as portas do corredor quase caem quando ela tem alguma reclamação para expor aos moradores. Logicamente que ela não está a saber que as mães substitui a cuca por ela nas historinhas passada para as crianças.
___Oh meu Deus! Agora eu começo achar que ela é um ser digno de ser estudado e um pouco de compaixão paira-me;mesmo que seja tão pouca.
O seu falar é sempre em alto e bom tom e os gestos são muito particulares dela. Alguém me disse uma vez que no "fundo"; bem lá no fundo ela tem um bom coração. Mas acho que a senhorinha só me disse isso porque é próprio do ser humano não aceitar que exista um ser de sua mesma espécie com alma tão má. Enquanto estou a escrever sobre ela continuo a me lembrar de outros fatos que a configuram como uma "estranha."
Em dias passados o menino do quinto andar deixou cair sua bola e se pôs a chorar e a pedir que alguém descesse para pegar. Eu chegava do trabalho cheia de caixas e papéis nas mãos e esbarrei com ela na recepção do prédio.
Argumentei:
___ O garotinho Caik do 5º deixou a bola cair e pede que alguém a pegue.
___ Ahh sim!___ respondeu ela com firmeza, porém revelando o chiado característico de um viciado em charutos.
Entrando no elevador eu a vi movimentar-se ,pegar a bola e gesticular em direção ao garotinho.
___ Ela tinha um coração afinal.___ me vi pensando.
No dia seguinte fiquei sabendo que uma pequena confusão havia se formado entre ela e os pais de Caik. Ela havia pego a bola,metido lhe a faca e jogado no lixo.
___ Oh Jesus;que mulher estranha! Era o coro de todos que ouviam falar sobre ela.
Ontem mesmo eu a vi novamente aqui no corredor e repito:
___ Ela está bem obesa e rema um pouco ao andar. Suas roupas são sempre muito largas ,tecido fino, leve e estampado em padronagens etnicas. Seu cabelo me lembra o estilo que está a usar Dilma Roussef e seus olhos são grandes tal como os de uma coruja.
Mas ainda acrescento mais;sua vida parece triste e vazia,talvez falta de fé e de calor,de companhia para viver um grande amor e viver a vida de modo mais leve.
Me pego pensando se não há como ajudá-la a ver além da obscuridão.
___ Oferecer-lhe uma viagem de presente? ___ Não. Ela me olharia de cima abaixo com mesquinhez e gritaria:
___Se não sou eu neste prédio!!!
Chego a pensar em outras soluções mas nenhuma que de fato me convence que a fará mudar um pouco. Então desisto.
O jeito é olhá-la como se não a visse,olhar além desta figura desconhecida e "estranha".
*Dani Cristina
Sucesso com as palavras :)
Até o próximo palavrear;
Um Abraço!!!

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